FORMAÇÃO E O IMPACTO NA ATUAÇÃO
Nossa formação impacta em como pensamos nossa trajetória no mercado de trabalho. Sou formada em Bacharelado e Licenciatura em História pela Universidade Estadual do Estado de Santa Catarina-UDESC, no ano de 2011/01.
Ao final do curso, em nossa formatura, não jurávamos.
O NÃO JURAMENTO
Jurar é perder palavras
É criar argumentos vazios
Sem possibilidade de transformação
Não Juramos
Apenas sustentamos
Que nosso objetivo maior
É despertar nas mulheres e nos homens
A reflexão crítica
Pois entendemos que o processo educacional
Se fundamenta no pensar
Em linhas gerais, ser uma historiadora consiste em pesquisar (investigar) os processos gerados por seres humanos, através de documentos (relatos de pessoas, diários, postagens em redes sociais, canções, documentos oficiais de governo, entre outros), nos mais diferentes tempos na sociedade, para compreender o mundo em que vivemos.
Nossa função social é fazer a manutenção da memória coletiva de uma sociedade, interligando gerações e, gerando identificações/diálogo e empatia entre elas, mantendo um sentimento de união e pertencimento à uma cultura (sociedade, povo...). Ao mesmo tempo, buscamos gerar um pensamento crítico para que os cidadãos consigam discernir o que deve ser mantido, e o que deve ser transformado, gerar impacto social, e podemos usar espaços onlines ou offlines para isso.
Segundo o site do Quero Bolsa, em 2020, na área de história, existem cerca de 2.313 cursos de graduação, e mais 4.514 cursos de mestrados, entre presenciais, semipresenciais e EaD. Deste modo, são em média 23.130 profissionais formados e, 9.028 de “sobreviventes” das pós-graduações por ano somente na área da História.
Mesmo com estes números, como já havia abordado no texto anterior (deste Blog!), História ainda não é uma profissão regulamentada, sendo assim, grande parte destes profissionais seguem para as salas de aulas (ensino fundamental e médio) seguindo as leis profissionais de professores, e a meta de sucesso torna-se ser professor universitário.
Os cursos (de formação) apresentam ênfases diferentes, que mostram possibilidades de atuação distintas, porém os parâmetros e/ou limites de atuação se mostram flexíveis e incertos, já que frequentemente seguem as (supostas) necessidades de cada região (tipos de arquivos, história e local…), além de considerarmos as especialidades dos profissionais dos grupos de docentes de cada universidade/faculdade, e existe uma resistência ao mercado empresarial, que iremos abordar em breve aqui no Blog.
Em algumas instituições o estudante deve escolher se quer licenciatura (“dar aulas”) ou bacharelado (pesquisa e/ou atuações que abrangem o campo da História na sociedade), como se não fossem duas faces da mesma moeda.
E, como somos ousadas, e jurar é perder palavras, é se limitar sem sentido, conseguiremos manter a proposta de reflexão crítica, respeitando e, se adaptando às transformações sociais que também ajudamos a estabelecer, através da função social do historiador.
Por isso, queremos estabelecer uma ponte, onde profissionais de outras áreas percebam nossa necessidade, e/ou possibilidade de ofício em suas equipes, gerando valor, e ampliando a atuação, através da divulgação das diferentes habilidades desenvolvidas na graduação em História, e que queremos almejar fora dela.
Ajude a nos divulgar! Permita-se conhecer nossos estudos, nos ajude com suas conclusões (deixe seu comentário!).
Na graduação pude compreender quatro chaves para nossa atuação através dos estágios e TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), enquanto as demais disciplinas eram voltadas aos conteúdos que temos como base para os exercícios de tais práticas, visando a sociedade:
Disciplina e Estágio em Imagem e Som I e II (duração de dois semestres): repensar o viés de comunicar História, da função social do historiador/professor, rever estruturas, usos de novas ferramentas de ensino e linguagens, novas formas de perceber História na rotina (na vida), descobrir o que é som, o que é imagem, o que é audiovisual, como comunicar (linguagens) através da produção de imagens, sons e audiovisuais, como fazer roteiros, e tudo que essa reflexão e ação podem gerar. Atuação: consultoria, roteiro, produção e desenvolvimento de filmes, documentários, vídeo-aulas, podcasts, histórias em quadrinhos (HQ), programas, games e novelas. Material para sala de aula, ou para o público em geral, para TV e plataformas digitais, produção de conteúdo, curadoria, escrever e aplicar projetos.
Disciplina e Estágio em Patrimônio Histórico Cultural I e II (duração de dois semestres): fortalecer a função social da historiadora/professora, repensar os espaços da cidade, os de pesquisa e de memória como museus, arquivos e acervos (pessoais ou não), como criar, organizar, ordenar, categorizar estes espaços em prol de facilitar acesso a ciência, contribuir em divulgar ciência no Brasil, compreender estes espaços enquanto mantenedores de memória (coletiva), compreender que existem patrimônios imateriais (danças, brincadeiras…), compreender as hierarquias de memória, como são construídas e selecionadas as histórias de heróis. Atuação: desenvolver ferramentas para divulgar ciência (aplicativos, site, jogos/games…), desenvolver metodologias de organização que facilitem acesso aos pesquisadores, construir linguagens para “traduzir”, e aproximar, pessoas em geral para estes espaços, produzir conteúdo, curadoria, escrever e aplicar projetos.
Disciplina e Estágio em Docência I e II (duração de dois semestres): repensar o viés de comunicar História, da função social do historiador/professor, rever estruturas, usos de novas ferramentas de ensino e linguagens, novas formas de perceber História na vida cotidiana, experiência em sala de aula para Ensino de Jovens e Adultos, Fundamental II e Médio, sem desvincular da pesquisa, desenvolver material educativo próprio e personalizado para cada turma, pensar em formas de avaliação, questionar como funciona o aprendizado para novas gerações com novas formas de “ler” o mundo, pensar o ensino conteudista e passivo para transformar em algo construído e partilhado, com uma proposta igualitária. Atuação: desenvolver planos de aulas (roteiros), formas/ferramentas ágeis de organização para professores e alunos, cronograma (calendário) de atividades, desenvolver material didático (livros, textos, games/jogos, imagens, audiovisuais...), desenvolver ferramentas para avaliar trajetória do aluno, desenvolver treinamentos, cursos, palestras, produzir conteúdo, curadoria, escrever e aplicar projetos.
TCC-Trabalho de Conclusão de Curso (duração de dois semestres): repensar o viés de comunicar História, da função social do historiador/professor, escolher tema/questão/problema, levantamento de fontes, perceber a interdisciplinaridade de análise das fontes, possíveis metodologias, desenvolver o projeto, compreender as várias áreas dentro da História (como médicos, existem os “de garganta” e os de pulmões, por exemplo, porém, dentro da mesma área de atuação existem os que optam por tratamentos alternativos/homeopáticos e os que preferem “alopatia na veia”), desenvolver um cronograma (calendário), desenvolver/descobrir formas/ferramentas ágeis para organizar fontes-dados para facilitar a análise, compreender estruturas da escrita acadêmica. Atuação: desenvolver pesquisa (trabalhos, artigos, dissertações e teses), escrever para revistas da área ou afins (colunistas), produzir conteúdo, escrever e aplicar projeto, divulgar pesquisa, curadoria.
Resumindo, nosso mundo perfeito seria, para além das redes de ensino (licenciatura, “dar aula”), temos um vasto território: de produção de livros e materiais didáticos, ou de consultoria, roteiro e produção de vídeos, filmes, séries, novelas, quadrinhos, jogos analógicos e digitais, e documentários para TV e demais plataformas de streaming, assim como, as instituições de manutenção e preservação de memórias em prol da pesquisa e divulgação, por exemplo: museus, memoriais, acervos e colecionáveis, sendo instituições públicas ou até empresas privadas, com seus espaços para a sua História Institucional, com parceria ao marketing/comunicação, gerar valor à marca, e construção de suas comunidades (onlines/offlines). Empresas de Turismo, ONGs e órgãos públicos voltados à cultura, políticas públicas, patrimônio histórico (material e imaterial) também estão dentro das possibilidades. E, por mais que as pessoas nos vinculem à documentos antigos, poeira e “marasmos”, podemos produzir conteúdos com os usos e abusos de redes sociais, sites e demais plataformas, sem fake news, por exemplo, com objetivo de divulgar ciência, trabalhar habilidades do futuro, gerar senso crítico, entre tantas outras propostas. E nem falamos das pesquisas, feitas de formas autônomas, com editais públicos.
Gerou curiosidade? Provavelmente você perceberá o nosso valor no mercado de trabalho, “encaixe” uma historiadora em sua startup. E se você é uma das pares, tente pensar “fora da caixa” e expandir suas opções, a favor de sua liberdade e felicidade.Sócia e Co-Founder de [BernunçaWHO?
[BernunçaWHO? veja onde estamos + BernunçaWHO?, siga, comente, compartilhe!
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