COMO VIM PARAR AQUI - por Dai
Administradora pública de formação, empreendedora social de coração, apaixonada por desenvolvimento humano e o poder das comunidades.
Administração? Mas vc tem cara de humanas?!
Durante toda minha jornada acadêmica foi assim, e nem posso culpar as pessoas, afinal tenho cara de humanas mesmo. Mas sou apaixonada pela minha formação a ponto de dizer que todo cidadão deveria cursar para conviver em sociedade. Radical? Calma, eu explico! Mas antes um breve resumo de como fui parar lá!
Fui uma criança apaixonada por bichos, de todos os tipos, então a escolha certa seria Medicina Veterinária. Mas a realidade foi mais ou menos assim… Medicina Veterinária: tem que abrir bichinhos, não vai rolar. Biologia: não passei. Geografia: passei, mas só soube disso um ano depois (essa história merece um post só dela). Administração Empresarial: porque o mercado absorve bem e posso aplicar onde já trabalho. Tive uma crise existencial na metade do curso e... Administração Pública: porque tinha impacto, eu podia mudar a vida das pessoas. Encurtei demais, né?
Depois de prestar vestibular dois anos seguidos e não ter passado nas universidade públicas como o planejado, me rendi a faculdade privada. Afinal eu já trabalhava e estudava todo o tempo restante, já não sabia mais o que fazer. Focada na realidade...Qual curso eu poderia fazer que me permitisse crescer na área que eu trabalhava, e o curso coubesse no meu bolso? Administração. Cursei administração empresarial até a metade e entrei em crise. Como uma boa pessoa de humanas, que hoje sei que sou, me incomodava muito o discurso dos docentes de que “quando eu fosse dona da minha empresa poderia ter milhões em lucro, se aplicasse toda aquela teoria direitinho”. Eu não queria ser dona de nada, mas eu adorava entender o backstage do mundo corporativo, e sempre me pegava pensando em como aplicar aquilo tudo para melhorar a vida das pessoas.
Quando entrei em crise, estava decidida que não podia mais investir minha energia em um curso que não me dava um perspectiva de acordo com o propósito de ser útil e, melhorar o mundo. Sim eu era jovem. Aí começa, minha saga. Como mudar de curso e não perder o que eu já tinha estudado? E ainda tinha de ser um curso dentro de uma instituição pública. Isso porque naquele momento eu estava bem empregada, e minha preocupação não era mais o mercado e sim, o que mais eu podia fazer.
Encontrei meu grande amor, a Administração Pública! Sustentabilidade, Ciências Políticas, Psicologia, Economia, Finanças, Direito, Coprodução, Terceiro Setor, Planejamento, Políticas Públicas, Gestão de Espaços, Mediação e Negociação… Enfim, um curso generalista, mas que ensina muito sobre o funcionamento da sociedade, e sobre os possíveis papéis que posso ter nela. Essa visão holística de ação e consequência, é fascinante!
Trajetória
Na universidade participei de núcleos de extensão e pesquisa. Posso dizer que isso impactou intensamente na formação da pessoa que sou hoje. Na pesquisa, fui apresentada ao método científico, ao trabalho quase que meditativo. Enquanto que na extensão, pude entender a força que pequenos grupos de pessoas têm para transformar a sociedade, ao mesmo tempo que se modificam.
Meu objeto de estudo ao final do curso, eram Políticas de Ações Afirmativas para o Ensino Superior. Trata-se do sistema de acesso, e apoio a permanência, de estudantes em situação de vulnerabilidade social no ensino superior. Me apaixonei ao encontrar algo que poderia ser a chave para que mais pessoas pudessem acessar o ensino superior, e concluí-lo.
Um dia Fran, uma amiga e cientista da informação incrível, me pergunta: O que você acha de montarmos uma consultoria para essa galera conseguir finalizar seus cursos com mais qualidade e ingressar no mestrado e doutorado? Me apaixonei pela possibilidade, aceitei o convite e tive a oportunidade de empreender pela primeira vez com foco nas pessoas. Era a realização da Administração que eu queria. Nesta experiência tivemos dois grandes aprendizados, primeiro é que o acesso a informação é uma barreira real, o segundo que precisamos chegar antes com muita informação possibilitando a maturação para a jornada!
E o [Bernunça WHO?
Eu continuo acreditando que um mundo mais igualitário está em construção, e quanto mais conhecermos da nossa história, e a dos outros, mais rápido aprendemos o que replicar, multiplicar, e nos permitimos inspirar.
Quanto mais compartilharmos, trocarmos (educarmos), mais abundantes seremos. E só podemos fazer isso com pessoas, e pessoas diferentes de nós, pois só assim será igualitário para todos.
Sou a outra parte do cérebro bernunciano, que está descobrindo como facilitar a jornada de outras pessoas, ao descobrir a própria.
Ass. Dai Breternitz
Sócia e Co-Founder de [BernunçaWHO?
Aproveito e convido você a acompanhar este Blog, nosso objetivo (aqui) é divulgar as atividades e ocupações que historiadoras/res podem exercer no mercado de trabalho, para além das salas de aulas. Toda semana, um texto novo!
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