HISTÓRIA INSTITUCIONAL PARA O MERCADO EMPRESARIAL
História Institucional é pesquisar sobre a história de uma empresa e/ou instituição, pois independente do formato (de bares à startups), todas tem uma trajetória. Mas você sabia, que esta pesquisa pode te ajudar a gerar mais negócios? E qual poderia ser o diferencial dos historiadores para as equipes de marketing e comunicação, no meio disso tudo?
Por mais que pareça uma atividade simples, não o é. Existe uma metodologia a ser seguida, para que diferentes visões sejam apresentadas, e que o resultado possa contribuir para futuras ações, como “firmar” a marca com clientes, e reforçar a cultura da empresa, por exemplo. A divulgação desta, para o contratante e sociedade em geral, pode ser feita em vários formatos, ainda mais neste período em que redes sociais ganham destaque enquanto um espaço de gerar negócios.
Passo 1, compreender a estrutura
O primeiro passo é a compreensão da estrutura, da lógica, possíveis pilares da empresa/instituição, seu Propósito (o que ela deseja fazer), seus Valores (como ela vai fazer o desejado, pautado em quê) e, a Visão (onde ela quer chegar, à longo prazo). Aqui é compreender quem ela é de forma geral, para se alinhar e, começar a contribuir, escutando sobre as expectativas, motivos da contratação, e sobre produtos que não abrem mão, por exemplo.
É necessária a compreensão dos cargos, suas hierarquias, se existem ou não, assim como, a hierarquia e trajetória dos documentos. Através destes dados compreendemos o fluxograma das informações, a estrutura e valores internos, o setor central, o que identifica a empresa, funcionários mais antigos, os que estão nos pontos chaves para tomadas de decisão, entre outros. Caso a empresa não tenha um fluxograma pronto, nós podemos auxiliar a elaborar, e as que já tem, nós podemos auxiliar a repensar. Tudo conforme aprovação.
Nesta primeira parte, o nosso auxílio vem muito mais de encontro com os valores, com o propósito, com a “cara do futuro” da empresa, com o (re)pensar este espaço, cargos, hierarquias e burocracias, valorização dos funcionários e a relação da contratante (quer ter ou manter) com a sociedade.
Passo 2, coletar material
O segundo passo é gerar, identificar, coletar e catalogar as fontes, tudo dependerá do tamanho, ramo, e tempo de existência da instituição, e também do que ela já produziu sobre sua imagem e história.
Cada caso, será um caso específico, com necessidades e demandas específicas, por isso, seguem apenas possibilidades: registrar conversas com funcionários, fundadores e familiares, aplicando metodologia própria da área (História Oral), documentos oficiais, vídeos institucionais, fotos, propagandas, plantas da construção da sede e contratos de expansão das operações e mercado.
Como compreendemos a estrutura, estas fontes darão diferentes olhares sobre a empresa, enriquecendo em detalhes o resultado de toda a pesquisa, trazendo diferentes verdades para além das que a empresa gostaria de ter e ser.
Todo este fazer é de forma coletiva, com o auxílio de todos, aqui o profissional da História tem mais necessidades, do que auxilia.
O resultado direto, é criar o acervo! Todas as fontes (documentos oficiais, fotos, entrevistas gravadas, e etc.) devem ficar disponíveis para consulta, tanto para clientes internos (setores de marketing, comunicação, eventos, entre outros) como para os externos, a sociedade como um todo (jornalistas, cientistas, estudantes, familiares, por exemplo), para que sejam criadas possibilidades ao longo dos próximos anos da empresa/instituição, impulsionadas por diferentes equipes e suas necessidades.
O acesso facilita a comunicação com demais setores, e outras empresas podem se identificar com você, podem fazer propostas de negócios/parcerias, e novas pesquisas, que podem trazer (novas) facilidades. Não existe apenas uma forma de disponibilizar, varia conforme os meios de comunicação já utilizados, a existência de um espaço físico, e mais uma vez, a integração do profissional da História com as equipes de trabalho da instituição, que nos leva ao próximo passo!
Passo 3, interpretações históricas
Do cruzamento das informações, traçamos a “linha do tempo”, os processos vividos, e quais os custos sociais e ambientais que esta trajetória gerou.
É aqui que descobrimos alguns fatos que, muitas vezes, a empresa não se orgulha, ou que deseja deixar escondido por não fazer mais parte do que ela é hoje, por exemplo: participações em estratégias que corroboraram com nazismo, participações em campanhas de determinados políticos/partidos e, golpes diversos. Outro problema, possível, é de algumas empresas quererem que estas questões sejam enaltecidas, dentro de discursos que reforçam desigualdades, violências e privilégios.
Um ponto (extremamente) delicado da pesquisa, que entra “em cheque” a função social dos historiadores, pois, embora não seja uníssono entre os profissionais da área (de História), alguns acreditam que podemos “abrir mão” disso em alguns trabalhos, existe a função de gerar pensamento crítico, e impacto social.
É necessário explicar que existem diferentes formas de fazer (algum tipo de) reparação histórica, desde a criação de institutos, investimentos em ações sociais, treinamentos dos funcionários, políticas internas, e outros.
Resultados possíveis:
Trajetória da empresa/instituição, de diferentes olhares com diferentes visões
Criar um acervo, com diferentes fontes
Criar formas de acesso ao acervo
Gerar formas de divulgar a trajetória, e a criação do acervo, em prol da comunicação entre empresa-clientes, e empresa-parceiros.
Os resultados da pesquisa, este processo de traçar a trajetória, geram produtos diversos para a divulgação (em parceria com as equipes da instituição), podemos usar espaços onlines ou offlines para isso, além de impactar processos dentro da empresa.
Os possíveis produtos:
Equipe de RH: realinhar o processo de onboarding; criação de políticas de recrutamento e permanência de funcionários; ações sociais; treinamento para os funcionários alinhando com novas perspectivas.
Equipe de comunicação e marketing: a pesquisa gera diferentes materiais que podem e devem ser utilizados nas campanhas e produtos da empresa, evidenciar a marca, a trajetória e contribuições sociais da instituição; criar um espaço (físico e online) para disponibilizar o acervo, permitindo diálogo com a sociedade; guia e contação de história para crianças, ou não, por dentro da empresa, aproximando a mesma com a sociedade; criar eventos em locais que se alinhem com a cultura da empresa, como exposições contemplando temas oportunos (conforme estação, datas comemorativas, eventos da cidade…) que relacione a empresa com a história da cidade/Estado; eventos dentro da empresa aproximando ela com a sociedade, com tema conforme público-alvo (interno e externo), como Dia das Mulheres, com a valorização das profissionais, divulgando suas ações de apoio e direitos, em prol do crescimento delas em sua empresa; criar palestras para a participação de diferentes eventos em áreas que dialoguem.
Equipe de desenvolvimento: um investimento a longo prazo, auxilia a encontrar formas de conquistar ISOs que servem (também) na identificação de qualidade pelo mercado exterior.
Entre tantas outras opções, mas como falamos, tudo varia conforme a empresa, descobertas, e sua atuação. Este olhar para si, auxilia olhar para o futuro desejado, traçar estratégias, fazer planejamentos, e desenvolver cada atividade, gerando novas oportunidades de negócio, de forma mais assertiva.
História Institucional é uma das primeiras atuações para profissionais da História quando pensamos no mercado de trabalho “fora da sala de aula”, e podemos desenvolver esta ação ao integrar alguma equipe da sua empresa, ou até mesmo, um contrato específico (freelancer) para desenvolver este projeto. Pense nisso!
Interessou? Deixe seu comentário, indique algum assunto que você gostaria de ver por aqui. E digo mais, indique este Blog! Vamos colocar a ciência da história nas empresas! Vai que alguma edtech se encanta e, contrata uma historiadora!
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