TEMPO E INTRODUÇÃO ÀS HABILIDADES DO FUTURO
No meio de uma pandemia, percebemos que grande parte das pessoas quer falar de futuro, do pós-pandemia, do que será de nossas práticas, quais serão os pilares a serem mantidos.
Este texto, faremos em duas partes, afinal, aumentar o bate-papo nunca é demais. Puxa seu café ou chá, uma cadeira, e bora papear, porque vai dar tudo certo no final!
Que futuro é esse?
Existem diferentes ordens do tempo, e formas como lidamos com elas em cada sociedade, em diferentes períodos.
Não é por acaso, que a grande maioria das pessoas faz desejos e promessas para o Ano Novo, ou ao estar infeliz com sua rotina, fala para si mesmo, "amanhã vai ser um novo dia", como um apagar e começar, uma renovação, uma nova versão de si.
Nas últimas duas décadas as palavras mais ditas são: crise, depressão, incerteza, e suas similares. Além de questões econômicas e políticas, a troca do milênio trouxe, para muitos, a necessidade de mudança, de questionar práticas, tentar viver de formas diferentes, compatíveis com novas possibilidades de mentalidades. E para outros, tocou como algo nebuloso e, o possível fim do mundo, já que os grandes pilares que sustentavam a sociedade, poderiam se romper.
Não é à toa, que nossa noção de futuro, durante o século XX foi progressista, no ritmo da indústria, o mundo só caminha para frente, sempre positivo e melhor, independente da destruição do planeta, da deterioração dos corpos, e as mentalidades se contaminaram com este pensamento progressista.
Com o advento do século XXI, o presentismo de Hartog é o conceito que melhor apresenta o sentido de tempo, de sentir seus efeitos e, como nos relacionamos com ele. Existe uma articulação entre passado, presente e futuro, mas o presente é a ordem vigente, muito relacionada à internet e, seus impactos.
No século XX, o futuro é que mostrava o caminho do passado e presente, no século XXI, é o presente que está ampliado, que se relaciona com o que deve ser mantido do passado, que ainda representa e faz sentido. Do mesmo jeito, que o futuro parece diminuído. Faço as mudanças hoje, para gerar impacto no que vivemos, e torcendo para que haja relação com esse futuro que se parece distante, e nada definido, com amplas oportunidades concomitantes.
O futuro que esperamos é complexo, transversal, entrelaçado e todos os seus sinônimos.
Onde tudo acontecerá muito rápido em meio a um oceano de informações. Sim, a automação já é uma realidade e, fará cada vez mais parte de nosso dia a dia, afinal, o que é repetível, programável e parametrizável, pode ser automatizado, o que abre espaço, para nos doarmos de humano para humano, e desenvolver coisas que só nós podemos fazer. Em resumo, o futuro será complexo, circular, abundante, colaborativo, e de muito amor. Eu sei, parece utópico, mas me permita explicar melhor ao longo deste texto.
Hard skills e soft skills
São termos importantes que estão pipocando quando falamos de habilidades do Futuro.
Hard skills ou habilidades técnicas, são competências técnicas, conhecimentos facilmente identificados e mensurados. Ensino superior, línguas, especializações, são alguns exemplos.
Enquanto que as soft skill ou habilidades subjetivas, são competências sociocomportamentais, levam em consideração o modo como reagimos e lidamos com as situações cotidianas, como: pressão, tomada de decisão, relacionamentos profissionais e pessoais. Enfim, o modo como nos portamos diante da vida. Estas são as Habilidades do Futuro.
Por que as habilidades do futuro são importantes?
O mercado de trabalho tem compreendido nos últimos anos, que as habilidades técnicas podem ser ensinadas dentro de um programa pré-definido, onde há previsibilidade. Permite que, após três meses de treinamento, a pessoa estará desenvolvendo “x” atividade com maestria, por exemplo.
Já as habilidade socioemocionais são difíceis de serem ensinadas, e não há garantia de que ao final de um treinamento, a pessoa irá responder dentro de um padrão. Então, é mais assertivo, e econômico, contratar alguém que não saiba nada sobre as tarefas a serem desempenhadas, mas que tenha habilidades socioemocionais maduras e, que tenha valores compatíveis ao da organização, ao invés de um PhD com nenhuma, ou baixa habilidade socioemocional. Salvo algumas exceções, onde as habilidade técnicas estão acima das habilidades humanas.
Quais são as Habilidades do Futuro?
Habilidade de Autoconhecimento ou inteligência intrapessoal
É aquele relacionamento sério com a gente mesmo. O exercício constante que fazemos de nos conhecer, compreender e questionar sinceramente. Ela é a base de tudo que vem depois, pois aqui encontramos nossos motivos de fazer e ser. Sabe o tal do Propósito, ele está neste universo.
Habilidade de Relacionar-se ou Inteligência Interpessoal
Após nos conhecermos conseguimos compreender por que reagimos a determinadas pessoas de “x” maneira. E isso nos dá escolhas a reagir de modo consciente e não impulsivo. Se vamos participar de uma reunião com um grupo de pessoas que não nos relacionamos bem e sabemos disso, passamos a nos vigiar, separando as pessoas das propostas que elas estão fazendo, então nossa decisão não é tão contaminada. Este é apenas um exemplo.
Habilidade Criativa ou Inteligência Criativa
É quase um modo de ver a vida! Murilo Gun, diz que “podemos resolver problemas da forma tradicional ou de forma criativa”. Para mim soa, como eu posso resolver as coisas de modo chato ou criativo, encontrando novas formas de fazer. Isso não quer dizer que temos que inventar um novo martelo para pregar o prego, mas na ausência dele, podemos usar um sapato, ou no meio do caminho perceber que para o objetivo fim, não há a necessidade de pregar nada, uma fita adesiva serve. Ou seja, é o poder que podemos desenvolver de combinar coisas.
Habilidade tecnológica ou Inteligência Interartificial
Ainda vejo pessoas com medo da tecnologia, acreditando que a humanidade será substituída pelas máquinas. Nos esquecemos do essencial, a automação serve para atender necessidades humanas, ou seja o ser humano sempre será o centro. Para que as máquinas executam algo, nós precisamos mapear as respostas esperadas, assim que ela nos responde como queremos, novas necessidade surgem e o ciclo recomeça. Então, nossa esta inteligência diz respeito a nossa agilidade de compreender as tecnologias e utilizá-las em nosso favor.
Habilidade de aprendizagem continuada
Na época de nossos Avôs, a ordem era primeiro estudar para depois exercer a profissão, e de anos em anos faziam os cursos de reciclagem/atualização. Hoje se fizermos isso nos tornamos obsoletos rapidamente. Estamos aprendendo constantemente, seja navegar na rede social do momento, ou sobre o novo aplicativo de produtividade, de pedido de comida, de mobilidade urbana. A questão aqui é direcionar esse processo de aprendizagem constante para nossos objetivos. Isso tem ficado cada dia mais complexo, afinal estamos na “Era da Informação”, e para darmos conta precisamos entender que aprender e ensinar estão diretamente relacionados e quanto menos limite essas ações tiverem mais abundante será a troca.
Sabemos que é muita coisa para assimilar e colocar em prática, por isso no próximo texto, temos cada Habilidade com detalhes, e dicas de como desenvolvê-las! Tudo dará certo, invista no seu desenvolvimento, se sintonize com as novas linguagens.
Escolhemos nossos temas conforme nossas subjetividades, mas nada seria possível sem a ajuda de outras pessoas. Estes são os grandes Mentores que compartilharam estes ensinamentos:
O Sr. Howard Gardner com sua teoria das múltiplas inteligências;
O Sr. Frey and Osborne e sua equipe com seu relatório extraordinário The future of employment: How susceptible are jobs to computerisation
O Sr. François Hartog, historiador, sabe muito de tempo e nossas relações com ele, enquanto sociedade e pesquisadores.
E Murilo Gun com todo o time da Keep Learning School com o curso Aprendizagem criativa - https://www.keeplearning.school/
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