A RELAÇÃO DAS GERAÇÕES COM A FELICIDADE E O TRABALHO


Independente de crenças, o sentir o tempo é diferente conforme as transformações sociais ocorrem. Não é a toa, que dividimos a história em “pedaços”, conforme características mais evidentes de uma sociedade, como Idade Antiga, Média, Moderna, entre outras.

A partir do século XX os estudos geracionais se tornam mais comuns, em diferentes áreas, como psicólogos, sociólogos, entre outros, se debruçam para compreender e definir as gerações, ao invés de dividir entre renda e gênero, simplesmente porque esse tipo de dado já não bastam. Geração Perdida, Grandiosa, e Silenciosa, abrem espaço para as que estão ainda no mercado de trabalho, Baby Boomers, Geração X, Y (Millennials) e Z (Centennials).

No Brasil, utilizamos a classificação americana, que são resultados de estudos mais antigos e populares, mas adequamos às nossas experiências, aos nossos períodos geracionais, através da identificação do perfil sociocognitivo-cultural (comportamental) dos nascido em determinados anos. 

Logo, o perfil também é fruto da cultura, das vivências partilhadas em comunidade, incluindo transformações políticas/históricas, relações com os meios de comunicação e tecnologia. Por mais que existam trocas, diálogos entre gerações, impactos e aprendizados, existem “linhas” de comportamento similares entre pessoas nascidas em um mesmo período, que refletem na forma de consumir, de se comunicar, e se relacionar com o mercado de trabalho. 

E também por isso, muitas empresas começaram a estudar gerações para compreender seu público-alvo, criando personas, impactando em linguagens mais assertivas na forma de se comunicar, e gerando impacto através de soluções que atendam reais demandas, e que façam sentido. Do mesmo jeito, que os setores de RH também repensam o perfil de funcionários, como recrutar, acompanhar e estimular o desenvolvimento das pessoas nas organizações, a começar pelo “onboarding” personalizado e que faça sentido a cada uma destas gerações.


Baby Boomers - 1945 e 1964

Os Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964), são frutos do pós Segunda Guerra Mundial, quando os combatentes voltaram para suas cidades e, puderam formar suas famílias. O mesmo ocorreu em países que não estavam envolvidos diretamente na guerra, afinal, também sofriam com as instabilidades do período. 

Uma geração que valoriza muito o trabalho, a construção de patrimônio, para isso, focaram em estabilidade, em permanecer o maior tempo em um mesmo emprego. Valorizam o tempo de experiência, criatividade e inovação, assim como, paixão pelo trabalho, não ganham destaques na trajetória profissional. Não existiam uma variedade de empregos, sem muitas disputas por eles. O trabalho traz segurança a longo prazo, e geralmente resultam em uma aposentadoria. 


Geração X - 1965 e 1984

A Geração X (nascidos entre 1965 e 1984), são os filhos dos Baby Boomers, cuja formação de seu perfil é muito interligada com a televisão e seus programas. Aliás, é uma característica muito interessante, pois com apenas um meio de comunicação predominante, poucos canais/opções, partilhavam dos mesmos discursos, valores e produtos. Por isso, valorizam as referências, pois partilham entre si fortes pontos em comum.

A Guerra Fria é o pano de fundo das vivências dessa geração, com isso, a tecnologia virou o foco do período. Não chegam a ser ousados no mercado de trabalho, mas buscam ascensão de cargos, carreira, priorizam compreender os processos do negócio para que tenham sucesso realizando seus desejos materiais e pessoais. O que frequentemente alcançam por serem conservadores dentro de corporações. Como conhecem o negócio, buscam autonomia com criatividade e flexibilidade em sua atuação, nada revolucionário, mas não gostam de ser gerenciados em cada passo, gostam de ter liberdade para tomar decisões. O trabalho não é sinônimo de felicidade, ele permite realizações.


Geração Y - 1985 e 1999

Geração Y (ou Millennials, nascidos entre 1985 e 1999), período mais próximo da troca de milênio, cresceram em um período de certa tranquilidade econômica dos anos 1990, e são visto enquanto realistas, demonstrando interesse maior pela autonomia no trabalho.

Não tendem a ficar na mesma empresa por muitos anos, têm menos receio (se comparados com os Y) de trocar, ou largar, um emprego para terem satisfação. Exigentes com suas funções, preferem trabalhos em grupos e menos hierarquias, e preferem instruções bem específicas, uma gestão mais próxima e detalhista, com feedbacks e tomada de decisão.

O salário é importante, chega a ser um fator decisivo para escolher mudar de uma vaga para outra, de uma empresa para outra, mas a experiência prevalece como foco. Não tendem a querer erguer patrimônios, a satisfação pessoal costuma ser o trilho.


Geração Z - a partir de 2000

Geração Z (Centennials, nascidos a partir de 2000), mais conectados por terem nascido com a Internet permeando grande parte de suas experiências, são mais imediatistas, e apresentam dificuldades de socializar fora do ambiente virtual.

São multitarefas, exigentes sobre as funções dentro das empresas, e do que consomem, e tendem a apresentar um grande senso de responsabilidade social e ambiental. Não desejam ficar nas mesmas empresas, nem desempenhar o mesmo trabalho por grandes períodos, julga-se que criarão muitas profissões/cargos novos para atenderem suas próprias demandas.


Mercado de Trabalho e as Gerações

É importante destacar que cada geração contribui para o ritmo, e “regras”, do mercado de trabalho, por exemplo, quando os X entraram no mercado, quem estava no comando das contratações eram os Baby Boomers. Através das inconformidades de cada geração, algumas coisas ditas enquanto verdade, como estruturas, foram subvertidas. Segundo estudos, cada geração veio mais realista, e com isso, a forma de se relacionar com a economia, o sentido de tempo, e estabilidade, se modificou.

Como os Z tendem a ser mais inconformados, eles trouxeram transformações desde novos, criando seus próprios negócios, conversando de “igual para igual” com parceiros e clientes, conversando de forma mais global com o mercado, firmando sua bandeirinha ao ditar o ritmo do que vivemos hoje.

Um período muito seletivo, onde propósito-consumo-trabalho não se separam, pessoal e profissional se integram, assim como online é extensão do offline, refletidas em um mercado de trabalho onde já se compreende que as habilidades técnicas podem ser ensinadas dentro de um programa pré-definido, por apresentar previsibilidade. E, onde se valoriza as habilidades socioemocionais, pois são difíceis de serem ensinadas, pela dificuldade de previsão, de padrão. 

Salvo exceções, é mais assertivo, e econômico, investir em um perfil com habilidades socioemocionais, e valores compatíveis ao da organização, ao invés de um PhD de extrema habilidade técnica e, nenhuma socioemocional.

Esperamos que você tenha gostado dos textos deste mês, ao falarmos sobre gerações, mercado de trabalho e suas novas possibilidades, e investir em formação superior, para que você se alinhe às novas demandas, e perceba que pode e deve ocupar lugares, de preferência aqueles em que você possa tomar decisões para contribuir com o mundo que você quer para si e para os seus.



ABUNDE-SE!

O conceito de geração nas teorias sobre juventude. 

Autoria: Carles Feixa e Carmem Leccardi

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922010000200003

A Geração Y no Mercado de Trabalho: um Estudo Comparativo entre Gerações.

Autoria: Letícia Reghelin Comazzetto, Sílvio José Lemos Vasconcellos, Cláudia Maria Perrone e Julia Gonçalves.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-98932016000100145&script=sci_arttext

Apresentação: A atualidade do conceito de gerações na pesquisa sociológica. Autoria: Alda Britto da Motta e Wivian Weller https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-69922010000200002&lng=en&nrm=iso


Ass. Natasha Bramorski e Daiana Breternitz Sócias e Co-Founders de [BernunçaWHO?

Aproveitamos e convidamos você a acompanhar este Blog, nosso objetivo (aqui) é divulgar as atividades e ocupações que historiadoras/res podem exercer no mercado de trabalho, para além das salas de aulas. Toda semana, um texto novo!
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